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Hoje é Sábado, 29 de Novembro de 2025.
A goleada por 6 a 0 sofrida pelo São Paulo diante do Fluminense, nesta quinta-feira (27), no Maracanã, a pior dos últimos 24 anos, sintetiza o momento mais turbulento vivido pelo clube dentro e fora de campo. O Tricolor acumula problemas que vão muito além do resultado: lesões em massa, disputas políticas internas e um elenco enfraquecido compõem o cenário de crise.
Entre 28 de outubro e 8 de novembro, o São Paulo perdeu 13 jogadores por lesões — muitos deles titulares absolutos e detentores dos maiores salários do elenco, como Lucas, Calleri, Luciano, Arboleda e Wendell. O técnico Hernán Crespo precisou levar ao Rio apenas 21 atletas, sendo cinco garotos de até 20 anos. A situação é tão crítica que o clube não conseguiu preencher a lista de 23 relacionados.
A derrota para o Fluminense não tirou apenas três pontos: praticamente acabou com as chances de o São Paulo disputar a Libertadores sem depender de outros resultados. Após o jogo, o capitão Luiz Gustavo fez um duro desabafo e cobrou responsabilidade das lideranças do clube.
“Está na hora de assumir responsabilidades de cima para baixo para que esse time volte a ser grande”, afirmou o volante à beira do gramado.
No Maracanã, a ausência das principais figuras da diretoria chamou atenção. O clube foi representado apenas por Rui Costa, executivo de futebol; Marcio Carlomagno, superintendente; e Fernando Bracalle, o Chapecó, diretor adjunto. Enquanto isso, o presidente Julio Casares e o diretor de futebol Carlos Belmonte vivem uma relação estremecida em meio ao clima pré-eleitoral que já domina os bastidores.
A instabilidade política coincide com um momento esportivo frágil. A previsão inicial da temporada era chegar às decisões do Paulista e da Copa do Brasil, além de alcançar as quartas da Libertadores e terminar o Brasileirão entre os seis primeiros. Apenas a meta na competição continental foi cumprida.
O São Paulo lida ainda com uma dívida estimada em R$ 912 milhões e com empréstimos sucessivos para manter as contas básicas em dia. Dentro desse contexto, até decisões esportivas têm sido influenciadas por pressões externas. Um exemplo foi o pedido para enfrentar o Internacional na Vila Belmiro, após protestos anunciados pela torcida no Morumbis. A justificativa oficial foi o gramado do estádio.
Para Crespo, não há acaso no que acontece com o clube. “Nada é azar. Não é normal ter 13 jogadores lesionados ao mesmo tempo”, afirmou na coletiva pós-jogo.
A goleada no Maracanã não é apenas um ponto fora da curva: é o retrato final de uma sucessão de problemas estruturais, administrativos e políticos que se acumulam há meses. No São Paulo, uma crise alimenta a outra — e o resultado em campo é apenas a consequência mais visível. Com informações: Ge Globo.
