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Hoje é Sábado, 29 de Novembro de 2025.
O sistema prisional de Mato Grosso do Sul segue em situação de extremo colapso, segundo dados das inspeções realizadas entre setembro e novembro de 2025 e divulgados pela plataforma Geopresídios, do Conselho Nacional de Justiça. O Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, conhecido como Máxima de Campo Grande, registrou o índice mais alarmante: taxa de ocupação de 403%. A unidade, com capacidade para 640 vagas, abriga mais de 2.580 detentos, revelando condições críticas e insustentáveis.
Outros presídios da capital também enfrentam superlotação. A Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira opera com 102% de ocupação, abrigando 618 presos para 603 vagas. O Centro Penal Agroindustrial da Gameleira apresenta taxa de 157%, com mais de 1.510 internos para apenas 960 vagas. O Estabelecimento Penal Feminino Irmã Irma Zorzi registra 133% de ocupação, enquanto o Instituto Penal de Campo Grande chega a 349%, com mais de 1.540 detentos em espaço para 442.
A situação mais extrema é vista no Presídio de Trânsito, que opera com 594% da capacidade, abrigando mais de 1.046 pessoas em um local projetado para 176. No interior do Estado, o cenário também é crítico. Em Nova Andradina, o presídio masculino apresentou taxa de ocupação de 355%, com 195 detentos em estrutura para apenas 55.
Delegacias também sofrem pressão. A DP de Anastácio operou com 125% da capacidade, enquanto outras unidades apresentam subutilização, como a DP de Iguatemi, que ocupa 13% do espaço.
Inspeções anteriores, realizadas em setembro, já apontavam gargalos significativos. Em Dourados, o Estabelecimento Penal de Dois Irmãos do Buriti operava com taxa de ocupação de 412%, enquanto o presídio de Três Lagoas registrava 308%.
A Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário informou que o governo estadual executa um plano de expansão, incluindo a construção de quatro novos presídios masculinos de regime fechado, totalizando 1.632 vagas, além de ampliações que somam 322 vagas extras. A Agepen atribui a superlotação principalmente ao grande número de prisões relacionadas ao tráfico de drogas, crime responsável por 35% da população carcerária do Estado.
A agência também destaca iniciativas de ressocialização, como programas educacionais e atividades laborais, que alcançam mais de um terço dos detentos. Sobre a Máxima de Campo Grande, a Agepen afirma que a unidade passa por reformas estruturais e expansão de espaços educativos para atenuar os impactos da superlotação. Com informações: Campo Grande News
