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Ararinhas-azuis recapturadas na Bahia testam positivo para circovírus e acendem alerta sanitário

ICMBio isola aves e reforça protocolos após identificar falhas graves de biossegurança no criadouro.
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Ararinhas-azuis recapturadas em Curaçá (BA) passam por monitoramento após confirmação de circovírus (Foto: Divulgação). Por: Editorial | 29/11/2025 08:57

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) confirmou que as 11 ararinhas-azuis (Cyanopsitta spixii) recapturadas no início de novembro testaram positivo para circovírus, vírus responsável pela doença do bico e das penas. A enfermidade, originária da Austrália, afeta psitacídeos como araras, papagaios e periquitos, não tem cura e costuma ser fatal. O agente, porém, não representa risco para humanos nem para aves de produção.

As aves haviam sido repatriadas da Europa e integraram o Criadouro para Fins Conservacionistas do Programa de Reintrodução da Ararinha-Azul, instalado em Curaçá (BA). Elas foram soltas em 2022, como parte dos esforços para restabelecer a espécie na Caatinga. Agora, equipes investigam a origem da infecção.

O ICMBio informou que o próximo passo será separar animais positivos e negativos, garantindo maior rigor nos protocolos de biossegurança. Desde a primeira detecção do vírus, em maio, o órgão instaurou o Sistema de Comando de Incidente para gerenciar a emergência e impedir a disseminação entre ararinhas e outros psitacídeos da região.

Vistorias do ICMBio, em parceria com o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) e a Polícia Federal, encontraram falhas no cumprimento das medidas sanitárias no criadouro, incluindo limpeza inadequada e uso incorreto de equipamentos de proteção. A instituição foi multada em cerca de R$ 1,8 milhão. O Inema já havia aplicado penalidade adicional estimada em R$ 300 mil.

“Se as medidas de biossegurança tivessem sido atendidas com o rigor necessário e implementadas da forma correta, talvez a gente não tivesse saído de apenas um animal positivo para 11 indivíduos positivos para circovírus”, afirmou Cláudia Sacramento, coordenadora de Emergências Climáticas e Epizootias do ICMBio. Ela destacou ainda a preocupação com possíveis impactos ambientais: “O que a gente espera é que o ambiente não tenha sido comprometido, ameaçando a saúde de outras espécies de psitacídeos da nossa fauna”.

A reintrodução da ararinha-azul depende diretamente do manejo ex situ, já que a população sob cuidados humanos é a única considerada viável atualmente. O acordo de cooperação entre o ICMBio e a Associação para Conservação de Papagaios Ameaçados (ACTP), responsável pelo envio de 93 aves ao Brasil, foi encerrado em 2024 após descumprimentos contratuais — entre eles, a transferência não autorizada de 26 ararinhas para a Índia.

Mesmo após o fim da cooperação, a ACTP só pode atuar mediante adesão aos instrumentos oficiais de conservação coordenados pelo ICMBio, como o Plano de Ação Nacional para a Conservação da Ararinha-Azul, o Plano das Aves da Caatinga e o Programa de Manejo Populacional. A meta permanece restabelecer uma população saudável e estável na Caatinga, especialmente nas unidades de conservação de Curaçá (BA), como a APA e o Revis da Ararinha-Azul. Com informações: Agência Brasil.




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