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Hoje é Sábado, 17 de Janeiro de 2026.
A investigação iniciada após um morador de Mato Grosso do Sul perder R$ 40 mil ao pagar um boleto falso levou ao desencadeamento da Operação Fake Bill, deflagrada na manhã desta terça-feira (2) pelo Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros). A ofensiva contou com apoio do Deic da Polícia Civil da Bahia e teve como alvo o núcleo de uma associação criminosa sediada em Salvador.
O golpe ocorreu em janeiro de 2025, quando a vítima sul-mato-grossense recebeu e quitou um boleto que aparentava ser legítimo. O documento, enviado por meio virtual, direcionava o pagamento a contas ligadas ao grupo criminoso. Ao perceber que o débito original permanecia em aberto, a vítima acionou a polícia e deu início à apuração.
A partir desse caso, os investigadores do Garras identificaram uma estrutura criminosa mais ampla, responsável por aplicar golpes semelhantes em diferentes estados do país. O grupo agia de forma profissional e articulada, utilizando dados de terceiros para elaborar boletos falsificados que simulavam cobranças de empresas, instituições financeiras e prestadoras de serviços.
Segundo a polícia, a associação criminosa não se limitava à emissão de boletos falsos. Havia um esquema estruturado de lavagem de dinheiro, em que valores eram rapidamente transferidos para contas diversas e, em seguida, convertidos em criptomoedas — estratégia usada para dificultar o rastreamento e a recuperação dos prejuízos.
“Os criminosos possuíam acesso a um grande volume de dados de pessoas físicas e jurídicas, o que permitia a criação de boletos altamente convincentes”, explicou a investigação. “O dinheiro sumia em poucos minutos, convertido em ativos digitais ou pulverizado em contas de laranjas.”
Com os elementos reunidos, o Garras representou pela expedição de mandados de prisão temporária e busca domiciliar. A Justiça autorizou o cumprimento de três mandados de prisão e quatro de busca e apreensão, todos na capital baiana.
Nas primeiras horas da manhã, equipes de MS e da Bahia iniciaram a operação simultaneamente. Durante as diligências, foram apreendidos celulares, notebooks e computadores usados na prática das fraudes. Todo o material passará por perícia para identificar outros envolvidos, rastrear valores e ampliar o mapa de vítimas.
Três suspeitos, de 33, 28 e 25 anos, foram presos temporariamente e seguem custodiados em Salvador. Eles são apontados como integrantes do núcleo operacional responsável pela fabricação dos boletos e pela movimentação financeira ilícita.
A polícia acredita que o grupo ainda possa ter ramificações em outros estados, dada a abrangência das transações identificadas até agora. O prejuízo total causado pela quadrilha ainda não foi calculado, já que novas vítimas seguem sendo localizadas à medida que a análise de dados avança.
A Operação Fake Bill permanece em andamento, e o Garras reforça orientações para evitar esse tipo de golpe, como evitar clicar em links enviados por terceiros, usar canais oficiais para emissão de boletos e sempre confirmar dados bancários antes de efetuar pagamentos. Com informações: Compo Grande News
