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Hoje é Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2026.
Uma operação conjunta da Vigilância Sanitária Estadual e dos Correios revelou um novo cenário do comércio ilegal de medicamentos em Mato Grosso do Sul, marcado pelo envio em larga escala de substâncias utilizadas para emagrecimento por meio do serviço postal. A ação foi realizada entre os dias 9 e 12 de janeiro, em Campo Grande, e resultou na apreensão de milhares de medicamentos sem registro, procedência ou autorização sanitária, muitos deles considerados de alto risco à saúde.
A fiscalização foi conduzida pela Secretaria de Estado de Saúde, por meio da Coordenadoria de Vigilância Sanitária Estadual, dentro das dependências da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Ao todo, 570 encomendas que haviam sido previamente retidas pelo setor de segurança postal passaram por análise da Gerência de Medicamentos e Produtos para Saúde, após apresentarem indícios de irregularidade em inspeções realizadas por meio de equipamentos de raio X nos dias 7 e 8 de janeiro.
Segundo a Vigilância Sanitária, a abertura das encomendas ocorreu somente com autorização legal e na presença das equipes técnicas, conforme determina a legislação vigente. Durante a ação, foram apreendidas 3.168 ampolas de tirzepatida, 78 canetas de retratutida, além de semaglutida, somatropina, esteroides anabolizantes, toxina botulínica, oxandrolona, lisdexanfetamina e suplementos alimentares. Nenhum dos produtos possuía comprovação de registro na Anvisa, origem conhecida ou autorização para transporte e comercialização no país.
Parte significativa do material é classificada como medicamento de uso controlado, o que exige prescrição médica e acompanhamento profissional, agravando ainda mais a infração. Um dos pontos que mais chamou a atenção dos fiscais foi a mudança na forma de atuação dos remetentes ilegais. Em vez de enviar as chamadas canetas emagrecedoras completas, os responsáveis passaram a despachar ampolas avulsas destinadas ao reabastecimento desses dispositivos, estratégia que dificulta a identificação do conteúdo e aumenta os riscos para os consumidores.
De acordo com a Coordenadoria de Vigilância Sanitária Estadual, os Correios identificam inicialmente os volumes suspeitos por meio do raio X, mas a confirmação da irregularidade só ocorre após a abertura dos pacotes, procedimento realizado exclusivamente com a presença da Vigilância Sanitária. O volume e o tipo de medicamentos apreendidos indicam a consolidação de um mercado paralelo de produtos de alto valor e grande procura, impulsionado pela popularização de terapias para emagrecimento.
A Secretaria de Estado de Saúde alerta que o uso de medicamentos para perda de peso sem prescrição médica, sem registro sanitário ou adquiridos por canais informais representa risco grave à saúde. Entre as possíveis consequências estão reações adversas severas, infecções, intoxicações, complicações metabólicas e risco de morte. O órgão reforça que a obesidade é uma doença crônica que deve ser tratada com base em diretrizes clínicas reconhecidas e acompanhamento profissional adequado.
As apreensões ocorreram em razão do descumprimento de diversas normas, incluindo leis federais e estaduais e resoluções da Anvisa que regulam o registro, transporte e comercialização de medicamentos no Brasil. Todo o material recolhido será inutilizado ou destinado conforme prevê a legislação. A Vigilância Sanitária orienta que denúncias sobre comercialização ou transporte irregular de medicamentos sejam feitas pelos canais oficiais, destacando a importância da colaboração da população para a proteção da saúde coletiva. Com informações: Campo Grande News
